sábado, 26 de novembro de 2022

Sumarário da aula de 23/11/22- David Queirós


(Pequena nota introdutória)>A Carolina Guina é minha prima e também vai sumariar a aula que agora sumario. Eu não sou de intrigas e conspurcar o seu nome não é de todo a minha intenção, e ainda assim… levanto aos céus as mães, desculpem, as mãos que tenho pedindo-lhes com a justa mesura que isto me corra melhor a mim do que a ela (mas muito melhor!). 


(Pequeníssima nota sobre a nota introdutória)> Tava a brincar, esta “pequeníssima” nota é desnecessária, peço desculpa.


(O sumário)> Começámos por falar sobre inteligência e representação, e como o sucesso pode muitas vezes estar associado ao bom uso destes dois elementos em conjunto. Nomeadamente pela “malta da cultura”, em oposição à “malta de engenharia”, e que a própria malta de engenharia pode, com arte e engenho, singrar na vida através da comunicação: como o fez Steve Jobs, por exemplo, de gola alta e sorriso malandro. 


> Pausadamente e sem grande espalhafato, a representação de “Damian Lewis as Antony in Julius Caeser” as a good exemple of a sagacious representation of a text by Shakespeare: a text that was meant to be represented. Therefore, é esse o exercício de imaginação que temos de fazer enquanto lemos.


>Neste sentido, analisamos o ritmo e a dança como características de um texto que, muitas vezes, o tornam um texto literário. Há importância no pormenor, na medida em que um simples traço, seja uma vírgula ou um mero -  que afinal é um + fazem a diferença. E para reconhecer essa diferença há que ser princesa e estranhar a ervilha debaixo de mil colchões. 


>Assistimos à Última Ceia, um sketch elaborado por Herman José, e à polémica envolta sobre o próprio sketch. O sentido da aula rumou em direção à discussão acerca do que poderá ser o humor. Quais são os seus limites e, consequentemente, os limites da censura. Foi aí que se instalou a discórdia. A organização perdeu o norte. A controvérsia sobre o tema escalou e, no meio de uma troca acesa de opiniões, o João deu um cachaço ao Francisco e a Celina chamou nomes ao professor. Até o Bernardo suspeitou ter visto o Herman virtual a revirar os olhos à discussão! Tudo isto e não se se chegou a conclusão nenhuma… Se é legítimo ou não haver censura; Se é legítimo ou não fazer pouco da igreja; Se se pode fazer piadas sobre qualquer coisa; Se existe alguém que tenha o direito de não ser ofendido. Foram estas, entre outras, algumas das questões levantadas durante o debate.


>O cartaz “Mais imigração!” em resposta ao cartaz “Basta de imigração”, como exemplo de sátira eficaz, que “magoa e é para magoar”.


>A ideia de ciclo de valores como uma espiral que, ao contrário do círculo, não se repete, mas quase. Isto é, há uma mudança lenta de valores e de paradigma que quase toca nos anteriores. Por exemplo: cair em desuso o estar casado para o resto da vida. Hoje em dia é demodé o não se divorciar. No contexto do sketch do Herman José e do “brincar” com a igreja, o próprio MRS mudou os seus valores e percepção relativamente ao humor. Mudam os valores dominantes mas não muda que os haja.


>A ambiguidade na arte, na poesia e no humor. O campo da incerteza ser o campo do interesse e eventualmente da mudança.

sexta-feira, 25 de novembro de 2022

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

Sumário 2022/11/23 - Carolina Guina

 

-Conversa sobre a capacidade de comunicar e do investimento na leitura:

Uma vírgula faz a diferença, tal como o ritmo faz um texto literário. Surge uma falha na comunicação, devido à falta de atenção ou de foco, em relação a algo como uma vírgula ou um traço, algo aparentemente mínimo.

As peças ganham mais vida sendo representadas. A forma como um ator representa uma determinada cena pode fazer toda a diferença. Visualização do solo de Marco António presente na peça Júlio César, de Shakespeare, interpretação de Damian Lewis.

Código cultural: saber hábitos ou características de uma determinada cultura. Agir de certa forma por desconhecer uma cultura. Capacidade de comunicar.

Ser a princesa que se apercebe da ervilha por baixo de uma torre de colchões, o que é vantajoso. Ter sensibilidade.

 

-Conversa sobre a mudança de valores e discussão sobre o que é o humor:

Visualização de “A última ceia por Herman José e Marcelo Rebelo de Sousa”, a propósito dos valores de à 30 anos atrás, que com o passar dos anos mudaram e a crítica ao humor feito com o episódio da “Última ceia”.

Ciclo da vida que pode ser como uma espiral, pois passa perto do que já se foi mas não é igual; os filhos não são exatamente iguais aos pais. As coisas mudam de geração em geração, quando sai um primeiro-ministro, há outro pronto a substituir, “Rei morto rei posto”. A estrutura quase que se mantém. Os valores mudam. Os valores dominantes mudam mas não muda o facto de haver valores dominantes. As mulheres e os seus direitos.

“Pinóquio” e Moby Dick: ideia da baleia, no 1º como o monstro que engole o Pinóquio e Geppetto e no 2º como o monstro que destrói os barcos. Quando há interesse político, esta ideia muda e já se acusa aqueles que fazem caça à baleia, esta deixa de ser o monstro e passa a ser a vítima, da qual tiram proveito. Isto surge quando há mudanças na economia no mundo ocidental, já não se precisa da baleia e vira-se o jogo. Os valores ocidentais estão em constante mudança e há uma adaptação da população perante eles.

Inverter a ordem do foco: o que é essencial e o que é acessório. Mudando a atitude muda também a relação com o mundo.

 

-Humor e os seus limites:

O que é o humor? Até que ponto pode ser considerado humor? Quando é que se torna ofensivo? Afinal o que é poesia? O que é arte? E a censura, quando é que deve ser aplicada? “Ninguém tem o direito a não ser ofendido”: discussão sobre a frase dita por um colega.

 

-Ambiguidade da arte e da literatura:

Se há muitos a dizer que não é arte, se calhar é arte.

Quem faz batota tem a vantagem. Se ele fez eu também posso. Todos têm razão? “Estava só a brincar”?

Mudança de perspetiva.

Literatura como campo da incerteza, um lugar de brincadeira e de experiências.

 

-Texto a ler para segunda: “O Sacristão Analfabeto”, de Somerset Maugham.

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

Sumário da aula de Literaturas Marginais – 21/11/2022 - Maria Cruz

 

  •  O modo como se diz certas coisas tem mais peso do que o que se tem para dizer. Exemplo de uma canção francesa em que o artista cantava l´amiúr em vez de l´amour.
  •  Explicação do que é um génio: um génio é aquilo que não tem explicação imediata. Um ser que demonstra as suas grandes competências sendo comparado com os outros.
  •  A luta entre a razão e a paixão vai ser eterna. Debate da frase “Somos mais animais que racionais.” Prende-se com a ideia de nunca contestar o nosso destino.
  • O anúncio de Ricardo Araújo Pereira para o Montepio, que plagiou Mário Ribeiro, ex-concorrente do Big Brother, quando o mesmo disse “Não explicam nada, não percebo nada!” Mário mostrou-se indignado por não saber como agir na casa do Big brother, e Ricardo Araújo Pereira aproveitou-se da situação para ser patrocinado pelo Montepio.
  •  Ricardo Araújo Pereira viu o que os outros não viram, pensou fora da caixa e assim usou a situação de Mário Ribeiro para proveito próprio.
  •   Comparação da ideia acima apresentada com o poeta Camões, que em “Os Lusíadas” reproduz um excerto da Eneida de Virgílio. Camões não plagiou Virgílio, mas sim “pisca o olho” para o leitor.
  •    Joana Vasconcelos e a sua obra de Portugal em forma de piscina. Joana apenas teve um pensamento inovador, que foi realizar a ideia que Portugal está sempre a meter água, mandando assim fazer uma piscina com o formato de Portugal. A inovação foi de Joana, mas esta apenas se limitou a pagar à empresa para fazer uma piscina com um formato diferente.
  •  O “Toque de Midas”. Há uma distância cada vez maior entre o fazedor e o que é feito. O facto de Joana Vasconcelos ter pensado em fazer uma piscina em forma de Portugal não tira o mérito à empresa que pôs a ideia em prática.
  • O labirinto do Minotauro. Nada é mais importante que o fio condutor. Tudo o que não fazia sentido passa a fazer sentido quando o minotauro é vencido por um fio condutor. O mistério (não saber como sair do labirinto) faz transformar o caus em cosmos. Faz o milagre de transformar o labirinto em algo com saída.
  •  Explicação de algumas passagens do texto “Tafas”.

segunda-feira, 21 de novembro de 2022

Sumário (21/nov./2022):

 

  • A experiência de leitura, que proporciona facilidade em identificar ‘as brincadeiras’ realizadas com o texto (ironias, erros propositados, etc.);
  •  O improviso, a novidade, na arte que gera aplausos pelos bons adversários.
  • Definição de obras de arte como aquilo que é raro, perfeito e ultrapassa os considerados melhores;
  • A elegância do texto ensaístico e o brilhantismo da escrita de autores, como: Fragmentos de um discurso amoroso, Roland Barthes; O Barroco, de Eugénio D’ors e a Biografia del Caribe, de Hérman Arceniegas;
  • Apresentação do primeiro grande romance depois do 25 de Abril: O que diz Molero, de Dinis Machado;
  • Visionamento de uma gravação, do professor, da rua Alexandre Herculano, que mostra as portas de um restaurante oriental, numa noite de chuva, com o objetivo de mostrar que a ficção é mentira, falsidade;
  •  A intertextualidade em Camões e o ‘plágio’ de Ricardo Araújo Pereira, num anúncio televisivo.
    • A genialidade de isolar e transformar o banal, o rotineiro;
    • A importância do olhar, da atenção, do artista para encontrar matéria, isolá-la e transformá-la.
  • Os ‘erros’ propositais do autor, para efeitos de sentido, musicalidade e forma (métrica e rima);
  • Visionamento de uma reportagem investigativa (acerca do desabamento de um edifício na Flórida), a qual demora a ser feita e possui muita informação, que é concentrada em apenas 20 minutos de transmissão televisiva;
    • A composição de uma história que é feita de partes de acontecimentos, ou seja, são colocados num enredo, isto é, a transformação do caos, em cosmos, da selva em jardim;
    • A condensação de informação dentro de um espaço previamente designado.
  • A característica distinta nos mitos, que torna uma versão do acontecimento diferente da outra.
  • Exploração do mito Fio da Ariadne, o qual explora a ligação do humano com o mundo, um elemento abstrato o qual faz com que o humano não tenha medo do desconhecido.
  • Leitura e explicação do texto do Tafas, de Borges.
    • A busca pelo essencial no texto escrito;
    • O explorar do acessório em um texto;
    • Exploração do conflito central e da ironia, cuja responsabilidade é formar o tom humorístico;
    • A familiaridade com a leitura que nos permite perceber as peculiaridades do texto.

Sumário dia 16 de novembro- Celina Fidalgo

 

Rodinhas são sinónimo de conforto e segurança, pelo menos, é a isso que as associo, quer estejam atreladas a uma bicicleta rosa choque, quer sejam sublinhados ou itálicos num texto. É a elas que devemos agradecer pelo nosso equilíbrio, seja enquanto estamos no topo dessa mesma piroseira ambulante, seja quando estamos a sublinhar um das dezenas de textos que temos que ler para a faculdade. São essas mesmas “rodinhas”, ou seja, sublinhados, itálicos ou reticências que ajudam o leitor a distinguir o importante do dispensável, digamos que são uma facilitação do mundo.

A verdade é que os excessos do uso das rodinhas têm diversas consequências diretas, a primeira é o simples facto de que se nunca as tirarmos nunca vamos aprender a andar autonomamente, a segunda é que com tantas “rodinhas” o texto acaba por perder força. Existe sempre aquele nosso colega que nunca precisou de rodinhas para começar a andar, como existe também aquele que as usa de forma diferente, o que as tornou únicas e essenciais para o texto.

Assim, no meio de tantos pequenos acidentes de viação contra os portões dos vizinhos e de uma quantidade cegável de amarelo fluorescente nos nossos cadernos, surge a poesia concreta e experimental. Aí o poema surge como autónomo, ou seja, não surge como expressão de um conteúdo, pois o conteúdo provém do próprio objeto que é já o poema. Entende-se assim que todos são A´s, mas todos os A´s são diferentes.

Então é isso que é poesia?

Definir poesia é o mesmo que aguardar pela chegada do Messias. O prazer está no caminho da procura pelo saber, como está na espera infinita da chegado do Prometido. Não importa a que conclusão cheguemos, nem que o próprio Messias venha, pois se vier não é o Messias, nem se definirmos poesia algo se torna poesia.

                Assim, o não entender é uma condição inerente ao prazer da arte, pois se chegássemos a conclusões rapidamente as abandonaríamos, tal como Adília Lopes soltou o peixe, logo após o ter apanhado.


Celina Fidalgo

quinta-feira, 17 de novembro de 2022

Sumário 16 de Novembro por Beatriz Calado

A poesia concreta e experimental 

-  O conteúdo de um poema advém do objeto que é o próprio poema, tendo em conta a forma que é trabalhada através da união entre sons, movimentos, cores e as palavras (ou a palavra) que constituem o texto. Une-se, assim, o ser e o estar, devido ao foco que se dá ao que é lido, visto e sentido - relembrando a importância da visão, pois para nós tendencialmente as coisas só existem quando as podemos ver. 

-  A autonomia que o poema adquire ao ser o objeto que transmite o conteúdo vai dar ênfase ao lugar ambíguo que  é a arte, onde podem existir diferentes formas de chegar ao mesmo conteúdo. Porém, só se captam estas nuances, consoante o quão princesa se for, para se sentir (ou não) a ervilha debaixo do colchão. 

- Mas o que é a poesia? Talvez seja o não sabermos bem se é poesia ou não, é a ambiguidade; é o Messias que está para vir (que não vai chegar, se for o Messias); é a necessidade de “imaginar Sísifo feliz”. A poesia é a frustração de precisar de apanhar o peixe para se livrar do peixe ou de nunca apanhar o peixe e, por isso, nunca se livrar dele.



  


quarta-feira, 16 de novembro de 2022

terça-feira, 15 de novembro de 2022

 Para atenuar o peso da minha abstinência blogosférica (também não pesa assim tanto…)

Para atenuar o peso da minha blá blá blá….. deixo em baixo a imagem de um quadro que tenho lá em casa, há já alguns anos, e que a minha avó elogiou muito da primeira vez que o viu, a pensar que se tratava de “uma linda flor!”. 

Não queria dizer inocência, mas talvez seja por aí: a minha avó não tem pecado, isso é coisa das novas gerações. Aqui fica a minha oração por ela. E livrai-nos do mal, AMÉN!

 

                                                                                                          David Queirós

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Sumário de 07/11/2022 (Ariana Rosário)

 


  • A procura do conforto no consumo de media de fácil compreensão.

  • A sensibilidade do indivíduo e a sua relação com a sua capacidade de interpretação, o exemplo da perturbação do espectro autista.

  • A relação do sujeito com o que é diferente e/ou difícil:

  • A capacidade de resiliência é construída, ou seja, o contacto com o difícil facilita a nossa superação de novas dificuldades;

  • Apenas pergunta quem já sabe.

  • A importância e política por detrás da linguagem: as diferentes facetas do louco e a história das últimas palavras de Miguel Bombarda.

  • A perda do fio condutor e a consequente perda do eu dentro ou fora de si mesmo.

  • Apresentação de um trabalho  sobre a obra Maus.

  • A cultura dominante e os movimentos de contracultura na literatura: 

  • O uso de médiuns menos prestigiados de forma a contradizer a narrativa dominante sobre a importância dos mesmos, exemplificado por Spiegelman com a BD Maus e Vonnegut com a sua obra de ficção científica Slaughterhouse-Five.

  • A comunicação através de imagens e legendas:

  • Os autores de banda desenhada frequentemente têm estilos artísticos simples, demonstrando um ênfase no texto. A banda desenhada não é só um desenho mas sim um texto completo.

  • As legendas demonstram a importância dada aos elementos da imagem. Só é descrito quem ou o que for considerado relevante.

  • Negociar, brincar e dialogar com as palavras e textos.

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

sobre ler, realidade enquanto texto, dadaísmo e (inutilidade da) poesia

esta semana, em conversa com uma colega que está a fazer a cadeira de textualidades, passei a conhecer o modelo da escola de Tartu, aparentemente um modelo de definição de cultura, através dum ensaio proposto para leitura nessa cadeira. o ensaio, The concept of text in cultural semiotics, da autoria de Göran Sonesson, inclui um gráfico elucidativo sobre este modelo que, parece-me, tem tudo a ver com a leitura-para-lá-do-texto, ou das palavras: a leitura situacional e relacional que fazemos no nosso dia a dia.


nesse mesmo artigo são referidas duas obras de Duchamp enquanto exemplos desse atravessar de fronteiras, da recontextualização dum objeto tendo em conta a sua passagem a uma categoria diferente. são eles as obras L.H.O.O.Q. (cujo título, se lido rápido, soa como elle a chaud au cul) e a mais conhecida Fountain. cito um pequeno parágrafo do artigo, a respeito disso mesmo:

“In discussing the process of inclusion into the art world, I have given mainly two examples, in both cases works by Marcel Duchamp: his "L.H.O.O.Q." consists of a reproduction of Leonardo’s "La Gioconda" with a moustache and a pointed beard. Since similar "La Gioconda" modifications have appeared before in satirical magazines, we could consider this a transference from another sphere of picture production. Duchamp’s "Fountain" is simply a urinal placed in the context of art exhibition; it is, so to speak, transferred from the sphere of tools or use objects to that of aesthetic contemplation.” (sublinhado meu)


por último, uma imagem sobre aquilo que António Barahona, em entrevista com Raquel Marinho, tem a dizer acerca da poesia:




links:

artigo de Göran Sonesson — https://www.academia.edu/5424645/G%C3%96RAN_SONESSON_The_Concept_of_Text_in_Cultural_Semiotics_1_The_Concept_of_Text_in_Cultural_Semiotics

imagem via instagram.com/raquel_marinho_poesia


joão

Ainda o Tafas (e, creio, o Pierre Menard)

 Li hoje por acaso este artigo. Olhem o título!



quinta-feira, 10 de novembro de 2022

Gisela e as suas verdades absolutas (O meu nome não é Raquel)

 

A minha irmã Gisela está naquela idade em que acha que tudo o que diz são verdades absolutas. Não existe nada além daquilo que ela pensa, tudo o que os outros pensam está errado e se alguém a tenta chamar à realidade ela desata aos berros a dizer que está tudo contra ela e que ninguém percebe como as coisas realmente são. Tem apenas 14 anos e já tem opiniões formadíssimas acerca todos os homens que existem à face da terra, para ela todos os homens são materialistas, só querem saber de prazeres carnais e do que aparece à superfície da mulher, dizendo nas palavras dela “Todos os machos são escrotos, só querem saber de comer as mulheres. São todos um nojo”. Eu já lhe disse por mais do que uma vez que fazer generalizações fá-la passar por tudo menos inteligente, que o ódio só a consome e lhe tira anos de vida e que quem quer que se identifique como um homem não tem necessariamente de gostar de mulheres, esta compulsão de heteronormatividade vigente na sociedade já enjoa. Mas parece-me que lhe diga o que disser entra-lhe a 100 e sai-lhe a 500 porque ela insiste em refutar:

Gisela: “Mas tu não vês oh mana, todos os rapazes da minha turma e da minha escola são assim, é com cada rapariga que vejo a chorar pelos cantos por causa disso, é com cada amiga que eu tenho de consolar à hora de almoço na cantina…Ás vezes elas chegam a chorar por causa do frango ressequido que têm de comer, mas no fundo eu sei que é por conta dessas paixões lamechas, sucedidas de desilusão, que elas têm. Estou farta de tudo isto, mais farta ainda do que ter de dizer sempre que o meu nome é com G e não com J”.

Por um lado eu percebo a Gisela, não é que eu na idade dela fizesse um melhor uso da razão, não tivesse os meus próprios ódios e pensasse que sabia exatamente quem eu era… estando, porém tão longe da resposta a essa pergunta que, reconheço agora que, por mais que tentemos nunca teremos para ela uma resposta concreta. Todos os dias o nosso ser sofre mudanças, todos os santos dias, e todo o santo dia descobrirmos uma coisa nova sobre nós. Enfim, eu quero ajudar a minha irmã, vê-la assim a sofrer sem ela própria se aperceber disso é algo que me causa agonia. Já passei por problemas semelhantes aos que ela está a ter agora, a diferença é que eu tive de passar por isso tudo sozinha sem propriamente a ajuda de alguém, não tive ali nenhum apoio, contudo se agora posso evitar que ela passe por tantos tormentos como eu passei e se já tenho experiência no assunto, o meu dever não é outro senão ajudá-la a tirar a venda que a está a cegar. Portanto ontem à noite decidi fazer como se faz às pequenas crianças e dizer-lhe aos berros para ela parar de ser tão obstinada, pois toda a gente sabe que só assim é que as crianças aprendem realmente. Mentira não fiz nada disso, o que eu na realidade fiz, foi que quando a pequena criatura se foi deitar, puxei a cadeira que se encontrava encaixada na secretária do seu quarto e aproveitando o momento que ela já está tão cansada que nem vontade tem de refutar o que quer que seja, abri a minha cópia da “Antígona” de Sófocles e comecei a ler- lhe a história desta. Para meu não grande espanto, ela ainda estava acordada quando acabei de ler a história e só me disse que tinha gostado da história, que ia sonhar com ela e que apesar de já não ser nenhuma criança tinha estranhamente gostado daquele momento. No dia seguinte quando fui buscar a criatura à escola porque esta ia ter uma consulta no dentista, perguntei-lhe se ela tinha percebido a mensagem que a “Antígona” queria transmitir. Ao que a pequena criatura me responde:

Gisela: “Epá yha acho que sim, a Antígona foi muito corajosa ao transgredir as leis da cidade por amor eterno ao irmão. E epá no fim morreu, algo que me pareceu inicialmente que não se importava, mas depois por breves momentos pensei que se importava porque queria muito casar com Hémon, o seu futuro noivo e primo…o que não sei se ela percebeu é um bocado para o errado…não aprendeu nada com a relação dos pais dela? E Creonte era um bocado estúpido não soube ouvir os conselheiros, o adivinho ou o próprio filho e depois ainda chorou baba e ranho por ter sido castigado pelos deuses e ser condenado a viver sem os que mais amava ou os do próprio sangue como diz lá no livro…julga que tem sempre razão esse rato! Acha- se muito sábio, mas não ouve nada do que lhe dizem, só o estão a tentar ajudar e ele vai e bate com a fuça na parede, mesmo toda a gente o estando a alertar para o facto de que aquilo só traz dor e que ao estar envolvido em todo aquele ódio é, muito pelo contrário, estúpido e não inte…”

Narradora: “Porque te calaste de repente, ó Gisela? Apercebeste-te de alguma coisa?”

Gisela: “Apercebi-me do quão estupida tenho sido ao ver as coisas apenas à minha maneira e não parar para pensar que há outras formas de ver a coisas, ou o quão parvo é não ouvir com ouvidos de ouvir a perspetiva das outras pessoas por um momento que seja.”

Narradora: “Muito bem…E o que pensas em relação aos homens e no que diz respeito às suas relações afetivas, agora?”

Gisela: “Bem…talvez nem todos os homens estejam apenas centrados no corpo da mulher, talvez alguns deles sejam espertos e vejam a mulher além disso, Hémon era sensato ao contrário do pai. E como tu me dizes sempre: "Não podemos pensar automaticamente que só homens podem gostar de mulheres e vice-versa, mulheres também podem amar mulheres assim como homens podem amar homens."...Claro, tanto faz…. o que importa é que ambas as pessoas se sintam atraídas romanticamente uma pela outra desde que não seja cá com maneiras superficiais e porcas…”

          

                                                                                                                                Sofia Teles

Sumário – 09/11/2022 por Beatriz Coelho

 

-Projeção de um vídeo (https://www.youtube.com/watch?v=_8JpG7Cah-c) que serviu como fio condutor para parte da aula.

-Conversa sobre a metáfora da rosa e, consequentemente, sobre como temos uma relação característica com a linguagem ao ponto de perdemos, por vezes, o 1ª grau.

-O que é um facto contra a minha convicção? Vivemos num tempo em que a perceção ultrapassa os factos e dificulta a aceitação dos mesmos.

-Conversa sobre o que é ou não uma sociedade ‘’saudável’’;

-Crispação na sociedade americana e na sociedade brasileira, pois são sociedades com opiniões muito divididas face aos partidos políticos.

-A questão do tribalismo a propósito da época salazarista em que quem integrava a elite estava mais à vontade (exemplo: para ti abro uma exceção).

-Instituições poderosas como a igreja são desautorizadas pela tentativa de ocultar as falhas.

-Alongar o conceito de texto: há temas principais e há temas secundários. É preciso haver ‘’leitura de jogo’’, ou seja, analisar mais profundamente (exemplo do golo de Soares).

-Importância da leitura dos sinais; num texto, ler os sinais tem uma intenção lúdica.

-Humor e poesia são similares, pois ambos são um desvio do óbvio e são textos mais ambíguos.

-Diferença entre o texto do Pierre Menard que é um texto lúdico vs. um texto que diz o que vai no pensamento do leitor e não teve qualquer tipo de embelezamento.

Sumário do dia 24/10 - Bruno Marrão

 A modificação da perceção do mundo de acordo com a nossa experiência subjetiva através das paixões positivas e negativas (o estar vivo é uma variação entre estes dois tipos), mas também através de fatores ligados à cultura ou à época.

 

 Os diferentes géneros de modificações que se encontram codificados segundo uma linguagem própria do seu espaço, por ex.: a literatura, o humor, a filosofia, a poesia, entre outros.

 

 A dificuldade de catalogação de uma obra tendo em conta a diversidade de géneros contidos nela: “Fragmentos de Um Discurso Amoroso” de Roland Barthes é um exemplo de uma obra na qual o autor faz uma análise de diferentes textos filosóficos ou da literatura sobre o amor dificultando essa catalogação pois parece ser uma junção de um comentário e de uma opinião.     

 

 Leitura do texto “Um Pincel que é nosso: Tafas” de Bustos Domeq: trata-se supostamente de um texto que faz uma homenagem e um elogio fúnebre a Tafas - a literatura enquanto a fixação objetiva de uma fonte que contrariamente à voz é uma fonte temporária que desaparece. Apresentação deste texto como exemplo de um tipo de narrador de pouca confiança porque ele centra-se numa coisa que o leva a divagar esquecendo-se do principal e do importante que é precisamente a homenagem.  

 

 Apresentação de uma BD do sucedido no partido LIVRE:

     - A BD enquanto infografia no sentido em que descreve factos que não só se apresenta enquanto leitura literal, mas também enquanto leitura visual.

     - A importância dos elementos visuais enquanto tentativa de transmitir uma mensagem e de influenciar a perspetiva do leitor: a associação das cores, das posturas dos deputados em causa a estados de comportamento

     - A leitura visual enquanto possibilidade da identificação de preconceitos por parte do autor em causa.

 

 Leitura da “Arte Poética” de Adília Lopes – a arte poética consiste num ensaio por parte de um autor ou autora na sua opinião relativamente ao modo como se deve escrever poesia.

 

 A importância de um desvio do caminho habitual ou da zona de conforto relativamente à literatura que permite uma flexibilidade ao leitor enquanto elemento de suporte à compreensão de outros pontos de vista.

Duas dicas sobre o Tafas

 1) Só gente muuuito inteligente consegue ver a foto abaixo. Talvez o prof. Marcelo, mas nem por ele ponho as mãos no fogo...








(Jardim da Parada. Guache sobre tela. 250 mil euros)


2) só alunos muito aplicados conseguem ver que esta dica não é bem uma dica:


3) Nunca vos leram o conto «O alfaiate do rei»? Sobre um rei tão vaidoso que foi enganado até uma criança gritar «O rei vai nu»?





Fardas & Profissões

 FARDAS

1
Há muitos anos, em reportagem no Algarve, a jornalista Luísa Jacobetty ficou no mesmo pequeno hotel que uma megabanda metal. Confirmou o que eu suspeitava: eram gente normal, inteligente, com família, gostavam de ler, só que a profissão os obrigava a usar farda. No caso deles, o uniforme era tatuagens e cabelo comprido e quilos a mais – ou a menos, consoante a banda fosse alemã ou americana.
2
John Lydon, que admiro, comentou algo afim sobre os fãs dos blusões de cabedal do Sid Vicious: «Qu'est-ce que dizer, a ideia do punk é o faz-por-ti-mesmo, cria uma banda mesmo que não saibas tocar, faz diferente, cria o teu estilo, e de repente anda tudo com o mesmo blusão com picos, ainda por cima caro?! Tá mal.» A ideia do punk era não ter de usar farda. Mas, claro, tal como as mais rebeldes obras de arte acabam no museu ou na Sotheby's (tu quoque, Banksy?), Até a punkice virou farda.
3
A malta do Web Summit –o que posso dizer? É tão uniforme...

segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Sumário 31/10 comparado - Sofia Martins e Joana Ramos

1)      Audição da música ‘Mulheres de Atenas’ de Chico Buarque

-      Tudo é político?

2)      Será que Bob Dylan, Chico Buarque, José Mário Branco, etc. eram marginais ao nível da literatura?

-      Quem é escreve canções é escritor ou ‘escritor’?

3)      Será que Lobo Antunes, Miguel Esteves Cardoso são escritores? (crónica)

4)      Reflexão acerca das eleições no Brasil

5)      Na vida é melhor não se ter 100% a certeza de nada

6)      Importância de pensar pela nossa cabeça

a.       Reflexão sobre a ditadura, liberdade de expressão e pensamento e repetição apenas do que nos é dito para dizer

7)      Reflexão acerca da utilização e significado da palavra ‘obscena’ 

8)      Para que serve a literatura? Que tipo de conhecimento é do mundo?

9)      O que é um Ph.D.?

-      Antigamente, todas as ciência não aplicáveis eram consideradas filosofia

10)   Como podemos definir a nacionalidade de alguém?

-      Exemplo de Rui Henriques, Miguel Esteves Cardoso e Dino D’Santiago

11)   Se um poema (p/ ex. de Camões) for para uma parede perde a forma?

12)   Um poema ainda é um poema se for musicado?

-       Inicialmente os poemas eram musicados – poesia e música era a mesma coisa

-       Quem inspirava os poetas eram as musas 

13)   Quando entramos para um sistema nunca saímos ‘puros’ de lá

-      Principio da pureza – principio ideológico bastante problemático 

                                                               -    Exemplo da Família Real

14)   Lengalenga do ‘Tão-balalão’

15)   Visualização de um vídeo acerca do poema ‘O poema ensina a cair’ de Luiza Neto Jorge, interpretado por Catarina Furtado

-        Não tem os dois elementos básicos da poesia (métrica e rima)

-       O poema apresenta vários momentos, pelo que não tem necessidade desses componentes base

16)   As crises (reais ou imaginárias) – existem diferenças?

17)   Quedas de fé / do nosso imaginário – deceções

18)   Entrar em guerra coma pessoa que está dentro de nós

-     O fascista que há em nós – está dentro de nós, mas é possível acalmá-lo

-      Porque é que está cá? – relacionado às vivências / época e contexto histórico em que nascemos e crescemos

-     Possibilidade de dialogo com ele

-       Exemplo do livro do Professor, Manual do Bom Fascista

19)   Quebras da vida (negativas e positivas)

20)   ‘Autobiografia sumária de Adília Lopes’ de Adília Lopes

-      Entrevista de Ricardo Araújo Pereira

-       O poema não pode ser literal (apesar da autora afirmar que sim)

                                                              -     Se é literal, porque é que existe repetição dos versos?

                                                             -     Se é literal, porque que no título está a palavra ‘autobiografia’

21)   Reflexão acerca da crónica (e sátira) ‘Os meus domingos’ de António Lobo Antunes


literaturas marginais - Joana Ramos

Questões abordadas na aula:

  • Chico Buarque “Mulheres de Atenas”;
  • Ter 100% a certeza de algo ou não ter?;
  • Mudar de opinião e ter dúvidas faz parte;
  • As crises imaginárias são também crises reais;
  • A existência de diferença entre realidade e imaginação;
  • Todos os atos são atos políticos;
  • A política educativa é aquela que não parece política, o mesmo se passa com a publicidade;
  • A filosofia ramificou-se noutras ciências sociais;
  • Um poema ainda é poema quando musicado? Nessas circunstâncias perde qualidades?:
  • “O poema ensina a cair”, Luiza Neto Jorge;
  • Retorno dos trabalhos feitos em aula;
  • Lobo Antunes enquanto romancista vs cronista de textos mais literários e poéticos.

Coimbra

  Há bagagem literária fora de formato Sempre houve literatura oral Sempre houve performance e palavra dita/dialogada O povo não é inferior ...