Como falámos numa das aulas, no período do Estado Novo, ao contrário da maioria das coisas, os livros não passavam pela censura, uma vez que não existia essa ‘necessidade’, dado que, a grande maioria da população era analfabeta, logo a acessibilidade do público em geral a livros era muito reduzida e guardada para as elites.
Por outro lado, a música, ao contrário dos livros, quebra a barreira da alfabetização. Assim, as letras cantadas tornam-se algo mais abrangente para a maioria e por isso mesmo, vistas pela ditadura como um possível perigo.
Rita Lee foi a artista mais censurada durante a ditadura militar brasileira (1964 - 1985). Devido a temas presentes nas suas composições como sexualidade, menstruação, drogas e ‘comportamentos desviantes’ as suas obras eram censuradas por desvios da ‘moral e bons costumes’.
Quando a censura ocorria numa fase mais tardia do processo, e as músicas já tinham sido gravadas em vinil, a Polícia Federal ‘riscava’ as 'canções proibidas’ nos discos, para que quem comprasse o LP não conseguisse ouvi-las.
Mais tarde, como forma de denúncia de toda aquela conjuntura, na música ‘Arrombou o Cofre’, Rita menciona vários nomes de políticos, bem como da líder da censura, Solange Hernandes.
“Nunca pensei que o que fiz durante 50 anos fosse o que se chama feminismo: eu ligava o foda-se e entrava decidida no mundinho considerado masculino, cantando sobre o que me desse na telha; de menstruação a menopausa, de trepada a orgasmo. Fora o resto.” (2018)
Sofia Martins




