quinta-feira, 10 de novembro de 2022

Fardas & Profissões

 FARDAS

1
Há muitos anos, em reportagem no Algarve, a jornalista Luísa Jacobetty ficou no mesmo pequeno hotel que uma megabanda metal. Confirmou o que eu suspeitava: eram gente normal, inteligente, com família, gostavam de ler, só que a profissão os obrigava a usar farda. No caso deles, o uniforme era tatuagens e cabelo comprido e quilos a mais – ou a menos, consoante a banda fosse alemã ou americana.
2
John Lydon, que admiro, comentou algo afim sobre os fãs dos blusões de cabedal do Sid Vicious: «Qu'est-ce que dizer, a ideia do punk é o faz-por-ti-mesmo, cria uma banda mesmo que não saibas tocar, faz diferente, cria o teu estilo, e de repente anda tudo com o mesmo blusão com picos, ainda por cima caro?! Tá mal.» A ideia do punk era não ter de usar farda. Mas, claro, tal como as mais rebeldes obras de arte acabam no museu ou na Sotheby's (tu quoque, Banksy?), Até a punkice virou farda.
3
A malta do Web Summit –o que posso dizer? É tão uniforme...

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