POR FAVOR, enviem o vosso mail para vos colocar como co-autores do blogue. Abaixo, a seguir à bibliografia sumária, a ligação para a aula zoom.
Docente responsável: rz@fcsh.unl.pt
a fim de serem convidados para co-autores deste blogue. E coloquem sempre como assunto: Literaturas Marginais ou Lit Marg.
Avaliação: participação (30%)frequência (70%) . Trabalho facultativo.
Com 9 vai a exame. Com 12 dispensa. Pode depois fazer melhoria no exame.
Frequência: 12 dezembro
Este é o blogue da disciplina de opção livre de Literaturas Marginais. Não é necessário frequentar um curso de literatura, embora ajude, porque esta é uma cadeira de literatura.
O blogue conta com os vossos contributos. Ideias soltas, reflexões, notícias, respostas a um ponto do programa. Nele espero que todos possamos partilhar textos e micro-ensaios, comentários avulsos que tenham a ver com o âmbito da cadeira. A participação influencia a nota, obviamente.
E qual o âmbito da cadeira? Boa pergunta.
Em Literaturas Marginais são apresentados aos alunos subgéneros e textos que, por uma ou outra razão, não têm sido pacificamente aceites como fazendo parte do campo literário. Temos uma primeira divisão em dois grandes grupos: paraliteraturas impressas e paraliteraturas expressas.
O termo paraliteratura foi cunhado por Gérard Genette, e significa, à letra, algo que está próximo, ao lado da coisa literária. Parte da discussão é precisamente se o texto X ou a variante Y são/estão literatura.
O modelo seguido é o da amostra médica. Apresenta-se uma variante - digamos, uma gaveta conceptual - e em seguida um texto exemplar, quer representativo do género, quer quebrando o clichê sobre o género. Se possível o texto proposto será em português mas não necessariamente. No caso do policial propomos Um imenso adeus, de Raymond Chandler e/ou A mão esquerda do diabo, de Dennis McShade. Mas podem (e fazem muito bem) ler outros textos em vez dos recomendados.
O critério para escolha dos textos pode ser o da sua importância (o caso de Solaris, de Stanislaw Lem, para a FC) mas pode também ser apenas - ou sobretudo - o de coincidir com os interesses do docente. Se no caso do humor/sátira escolho falar de José Vilhena e não de Lucrécio ou do Diabinho da Mão Furada é porque já escrevi livros sobre Vilhena.
O objectivo desta cadeira de opção é reflectir sobre um leque, não coerente, de géneros e formas que, de algum modo, não são geralmente integradas no (também discutível) cânone do que é considerado “literatura”. Fica claro que o programa não esgota o que possa ser “literatura marginal”. Cada item será acompanhado por um estudo de caso.
As aulas não têm de seguir a ordem do programa. Se vou a uma biblioteca não tenho de começar a ler pela letra A - o importante é sabermos em que ponto estamos - se no 5.6 ou no 1.4.
O plágio é desaconselhado. Há plágio quando, por escrito, nos apropriamos das ideias ou palavras alheias sem as creditar. E como as creditamos? Por paráfrase ou citação entre aspas (ou, se tiver mais de quatro linhas, com destaque espacial), devolvendo o seu a seu dono. Eu posso publicar em livro poemas de Camões e receber eu o dinheiro (o pobre morreu há mais de 70 anos), mas não posso dizer que os poemas são meus. Moral: não creditar o autor é mais grave que ficar-lhe com o dinheiro. Todos os anos, inúmeros plágios são tão bem feitos que passam despercebidos. Parabéns aos autores da proeza. Mas um dia tudo se sabe. Não vos podendo desencorajar de plagiar, posso apenas dizer que, se descoberto, será punido. O que é pena, porque esta cadeira de opção pode ser divertida.
1. Literatura marginal
1.1. Há um cânone literário?
1.2. Marginal – um conceito equívoco
1.3. Cultura popular e cultura de massa
1.4. O século XX: fronteira e (com)fusão
1.5. «Toda a literatura é marginal»?
1.6. «Toda a poesia é experimental», como diz Gastão Cruz?
1.7. O escritor marginal. Luiz Pacheco, Charles Bukowski.
1.8. O episódio do sino em Andre Rublev, de Tarkovski
2. Paraliteraturas impressas
2.1. Literatura de cordel O caso do Brasil
2.2. Literatura oral e tradicional
2.3. Máquinas narrativas: o romance policial. Dennis McShade e A mão direita do diabo
2.4. Ficção científica ou ficção política? Stanislaw Lem, Solaris
2.5. Imprensa do coração A fotonovela de Corin Tellado
2.6. Sátira e humor. José Vilhena, Alberto Pimenta, Mário-Henrique Leiria
2.7. Banda desenhada/Literatura gráfica Vânia, Escala em Orongo
2.8. A crónica. Lobo Antunes, Miguel Esteves Cardoso
2.9. Escritores de canções. Sérgio Godinho, Leonard Cohen
2.10. Outras
3. Paraliteraturas expressas
3.1. Teatro/happening/performance Felizes da Fé
3.2. Poesia visual/experimental Po.Ex (Hatherly, Melo e Castro), Fernando Aguiar
3.3. Livro objecto /Mail Art. Fernando Aguiar/José Oliveira
3.4. Cinema. Vale Abraão (Agustina e Oliveira)
3.5. Rádio/TV Dennis Potter
3.6. Internet, hipertexto, e-leitores Os Surfistas, Arquivo Pessoa
3.7. Blogues, Twits
3.8. Slam Poetry. Os Poetas do Povo. O Rap.
3.9. O Facebook. O Twitter. Os novos Haikai.
2.10. Outras
4. 4. Temas no ar Arte e poder
Língua e poder
Classe e poder
As mulheres, essa imensa minoria
Que tipo de conhecimento é este? Que mapas promove? E para quê?
O poema ensina a cair?
Literatura e Zeitgeist
Sociedade
Comunicação
Hierarquia
Censura
Ao centro tudo! à periferia nada!
Bibliografia activa (amostra médica)ARAGÃO, ANTÓNIO [1966], um buraco na boca. Funchal: ed. do A.AGUIAR, Fernando (1981), O Dedo, Lisboa, Ed. Do A.BARTHES, Roland (1977), Fragments d'un Discours Amoureux, Paris, Seuil. Ed. ut.: Fragmentos de um Discurso Amoroso, Lisboa, Ed. 70, s.d.BAXTER, Glen (1990), The Billiard Table Murders, London, PicadorCÓRTAZAR, Julio (1967), La Vuelta al Dia en Ochenta Mundos (2 tomos), Madrid, Siglo XXI de España, 1973MILLER, Frank (1987), The Dark Knight Returns, New York, DC ComicsMOTA, Augusto; DIAS, Nelson (1973), Wanya – Escala em Orongo, Lisboa, Gradiva 2008PINTO, Júlio;SARAIVA Nuno (1996), Filosofia de Ponta, Lisboa, ContemporâneaRODRIGUES, Graça Almeida (1981), Vida e Obra de Frei Lucas de Santa Catarina, Lisboa, Imprensa NacionalHATHERLY, Ana (1975), A Reinvenção da Leitura - Breve Ensaio Crítico seguido de 19 Textos Visuais, Lisboa, Futura HERBERT, Frank [1965], Duna. Lisboa: Relógio d'Água, 2020.
McCLOUD, Scott (1993), Understanding Comics – The Invisible Art, Northampton MA, Kitchen Sink PressOULIPO (1973), La Littérature Potentielle, Paris, GallimardSPIEGELMAN, Art (1986), Maus – A Survivor's Tale, Vol. I., New York, Pantheon. Ed. ut.: Maus, Lisboa, Difel, 1988 (1991), Maus – A Survivor's Tale,Vol. II, New York, Pantheon. Ed. ut.: Maus, Lisboa, Difel, 1995VONNEGUT, Kurt (1973), Breakfast of Champions, London, Cape Bibliografia passiva
Bibliografia passivaBORQUE, J.M. DIEZ (1972), Literatura y Cultura de Masas, Madrid, Al-BorakBOURDIEU, Pierre (1992), Les Règles de l'Art – Genèse et Structure du Champ Littéraire, Paris, SeuilCASTRO, Ernesto Melo e; HATHERLY, Ana (1981), Po.Ex – Textos Teóricos e Documentais da Poesia Experimental Portuguesa, Lisboa, MoraesLOPES, Silvina Rodrigues (1994), A Legitimação em Literatura, Lisboa, Cosmo-- PIMENTA, Alberto (1978), O Silêncio dos Poetas, Lisboa, Regra do Jogo-- (1994) A Magia que tira os Pecados do Mundo, Lisboa, CotoviaSARAIVA, Arnaldo (1974), A Crítica Literária e a Crítica Literária em Portugal, Porto, FLP-- (1975), Literatura Marginal izada, Porto, s.e.-- (1980) Literatura Marginal izada, Porto, ÁrvoreZINK, Rui (1999), Literatura Gráfica, Lisboa, Celta-- (2000) O Humor de Bolso de José Vilhena, Lisboa, Celta
Netografiahttp://www.nfb.ca/film/ladies_and_gentlemen_mr_leonard_cohenhttp://arquivopessoa.net/Luiz Pacheco (o documentário): https://www.youtube.com/watch?v=vs72TLvQa8kLuiz Pacheco: O Cachecol do artista https://www.youtube.com/watch?v=kkaZyR2KpNEGeração Feliz: https://www.youtube.com/watch?v=r7oL-Wfz4bIEtc…