A poesia concreta e experimental
- O conteúdo de um poema advém do objeto que é o próprio poema, tendo em conta a forma que é trabalhada através da união entre sons, movimentos, cores e as palavras (ou a palavra) que constituem o texto. Une-se, assim, o ser e o estar, devido ao foco que se dá ao que é lido, visto e sentido - relembrando a importância da visão, pois para nós tendencialmente as coisas só existem quando as podemos ver.
- A autonomia que o poema adquire ao ser o objeto que transmite o conteúdo vai dar ênfase ao lugar ambíguo que é a arte, onde podem existir diferentes formas de chegar ao mesmo conteúdo. Porém, só se captam estas nuances, consoante o quão princesa se for, para se sentir (ou não) a ervilha debaixo do colchão.
- Mas o que é a poesia? Talvez seja o não sabermos bem se é poesia ou não, é a ambiguidade; é o Messias que está para vir (que não vai chegar, se for o Messias); é a necessidade de “imaginar Sísifo feliz”. A poesia é a frustração de precisar de apanhar o peixe para se livrar do peixe ou de nunca apanhar o peixe e, por isso, nunca se livrar dele.
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