Fragmentos de um discurso amoroso é o Annie Hall de Roland Barthes, do tempo em que as ideias ainda não vinham todas da América. Barthes escreve sobre o amor e diz: sou um filósofo mas também um linguista mas também um professor de literatura mas também um escritor mas também um tipo que gosta muito de cinema mas também alguém que ama e tem histórias passadas e, se Deus quiser, futuras. E como sou essas pessoas todas tenho de comentar por elas. O livro é um fragmento composto de fragmentos porque não há totalidade nem ambição de lá chegar. Tenta ser um dicionário incompleto de um mapa de lugares amorosos (o beijo, a sala de cinema, o banco de jardim, as nossas músicas, a primeira zanga, os «não posso viver sem ti», os «Destruíste a minha vida!!!») e é um fascinante emaranhado de notas de rodapé. O meu exemplar, de 1981, tem ainda uma outra nota de rodapé: os comentários que fui fazendo à margem, ora anuindo («Bolas, é mesmo assim») ora discordando com veemência («O menino Roland tá parvo!»). É capaz de ser o meu bem mais precioso, a seguir ao pedaço do nariz da esfinge que me venderam no Cairo.
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