Há um filme com Robert Redford, de 1986, onde ele faz de «encantador de cavalos» - alguém que entende os cavalos (tanto quanto é possível entender) e, pela empatia, faz com que os cavalos confiem nele.
O nosso problema quando tentamos ler um texto sem rodinhas - sem indicadores berrantes a dizer quando e o quê devemos sentir («Agora ri! Agora chora! Agora comove-te, porque nós estamos a pôr violinos!») - é que, sem treino, ficamos à nora. Perdidos num deserto ou, pelo menos, em algo que parece um deserto. Ou uma selva. Uma selva também é um deserto. Ambos, deserto e selva, têm em comum o deixar-nos de cara à banda, sem GPS que nos salve.
O que fazer, então?
Sinceramente, não sei. Se soubesse não dava aulas. Mas aqui vai uma dica:
Façam perguntas
ao texto:
- Quem és? Para onde vais? Por que raio um leitor deve ler-te?
- Para que serves? A quem serves? Acrescentas um ponto?
- Soas bem? Usas palavras difíceis? E difíceis – ou fáceis – para quem?
Não precisamos de ter resposta para todas. Se calhar nem nos interessa ter resposta. Mas só quem já leu muito tira um prazer real em não ter respostas imediatas...
E é bem mais fácil ser rígido («Eu cá sou assim!») do que flexível.
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